quarta-feira, 11 de abril de 2012

Anencefalia

Eu acho assim, todo mundo tem direito a opinião, afinal é "democracia" e tudo o mais. Mas nunca direito a enfiar as concepções pessoas goela a baixo dos outros! E eu também creio que o Estado é laico. Além do que, quem não concorda com o aborto, não faça um! Quem não gosta do casamento gay, não case com um gay! O testemunho é a arma mais importante da fé. Não o constante reclamar e a imposição de posições. Ninguém vem impor ninguém a deixar de comungar só porque não acredita. Ninguém pode fechar as portas da igreja pra impedir as pessoas de rezar. O mundo é maior do que a gente pensa. As pessoas acreditam em coisas diferentes e elas têm direito de escolha (afinal Deus nos deu o lívre arbítrio, não?). Cabe aos cristãos dar exemplo de vida. Não se intrometer na vida jurídica do país. A Cesar o que é de Cesar.
E detalhe: esse debate judiciário NÃO é sobre a descriminalização do aborto! É sobre um direito que, por via jurisprudencial (decisões de tribunais) já está sendo garantido às mulheres que têm seus úteros transformados em caixões, de parar com a dor antes que ela se torne insuportável (não vou nem entrar no mérito do quesito dor/culpa/penitência no cristianismo).
A morte jurídica e médica no Brasil se dá quando há morte cerebral e a anencefalia, mutatis mutandis, é um tipo de morte cerebral porque não há formação do cérebro. A menininha que, estão mostrando por aí, sobreviveu, não tem anencefalia clínica porque ela tem parte do cérebro. Desse modo, ela tem direito à vida, nos moldes da constituição! Mas os bebês verdadeiramente anencéfalos, no momento que em que nascem, não têm mais condições de viver porque quando desprendem do útero da mãe, saem do ambiente que os mantinha vivos e pouco tempo depois morrem.
E gente... Não se obriga ninguém a nada com essa discussão! Se a mãe optar por manter a gravidez, ela poderá! Mas será garantido a ela que não seja presa, nem que responda por um crime, ao fazer um procedimento cirúrgico que condiz com a sua qualidade de via, de saúde mental, física, psíquica!
Creio que é muito machismo cristão o nosso, pensar que a mulher tem que sofrer desse jeito para "pagar seus pecados". Ninguém merece sofrer assim, porque Jesus já fez o sacrifício máximo por nós na Cruz. Jesus é fonte de Vida, de Misericórdia. Não de discórdia, nem de irracionalidade.

Inspiração: O Estado não Engravida (Luís Roberto Barroso)

sexta-feira, 30 de março de 2012

Do Golpe de 64 e dos Jovens de Hoje

Do Dicionário Michaelis Online:

golpe
gol.pe
sm (gr kólaphos, pelo lat vulg) 1 Ferimento ou pancada com instrumento cortante ou contundente. 2 Corte, incisão. 3 Desgraça, infortúnio. 4 Ímpeto, chofre. 5 Crise. 6 Disposição decisiva que se toma em qualquer negócio. 7 Lance. 8 Gole, trago. 9 Esperteza. 10 gír Manobra traiçoeira.
b) fig ação desleal, visando prejudicar alguém ou tirar vantagem sobre ele: Mentir para mamãe foi um golpe baixo.
G. de estado, Dir: medida extraordinária, pela qual o chefe do governo de um país altera ou tenta alterar, violentamente, as suas instituições políticas, para tornar-se ditador, quase sempre com o apoio das forças armadas.
G. de mão, gal: tentativa ousada e rapidamente executada; expedição, ataque imprevisto.

Eu sinceramente acho uma palhaçada comemorar um "golpe". Ninguém comemora uma coisa gramaticalmente ruim, politicamente errada e historicamente triste, cuja desculpa foi evitar um pretenso golpe socialista no Brasil, acabar com os "subversivos", com quem pensava diferente.
Aí os estudantes foram protestar, levaram balas de borracha, cacetetes, máquinas de choque, levaram uma dura da PM mesmo. Enquanto na Europa, os jovens são protestantes, lutam pela democracia, buscam seus direitos, os nossos são chamados de baderneiros, vândalos, marginais. São os subversivos de hoje. São, como a Hildegard carinhosamente apelidou, os "Quixotinhos".
Quem tem familiar militar que me desculpe. Mas existe também muitos familiares de desaparecidos, de torturados, de "suicidas", de traumatizados, de sofridos. Perguntem às avós, aos avôs, aos tios, aos pais, como foi aquela época. O medo. A incerteza. O racionamento. A censura. O sonhar para não calar. O calar para não sofrer. O sofrer para não sumir. O sumir para não morrer. O morrer para efetivamente viver.

Uma amiga querida, uma gema que eu amo, me chamou a atenção para que não adianta observar tudo isso e se manter de braços cruzados. Foi por isso que eu resolvi voltar a escrever. Porque eu não quero deixar os meus sonhos morrerem. Eu quero ser uma Quixotinha. Eu quero perseguir os meus sonhos e quero manter tudo aquilo que eu acredito, muito bem vivo. Já basta de observar tudo a minha volta e nada fazer. Está na hora de voltar a agir.



terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Sobre a Morte

Existem tantas pessoas nesse mundo que passam por nossas vidas, riscam algumas linhas na nossa história, escrevem alguns capítulos conosco e depois se vão... Carregadas pelo Anjo da Morte ou simplesmente pelas ondas da vida...
A contrário sensu existem outras pessoas que amamos tanto, que estão sempre presentes em cada momento, que parecem que estarão conosco para sempre... Mas quando embas se vão, fica um vazio, um pedacinho de terra cujas raízes foram subitamente arrancadas.
Esses dois tipos de seres humanos ilustram, juntos, a efemeridade das coisas e a eternidade que também nos cerca. Pessoas passam, problemas se desatam, pessoas ficam, problemas se entrelaçam. Como as estações do ano, a vida se transforma sempre, a cada dia, mais complicada e sempre simples. Basta acompanhar o vai e vem das ondas, os ciclos de vida e morte, a transformação das flores em frutos.
Quando a morte nos tira aqueles que amamos, sejam eles parte minúscula ou monumental de nossa existência, um pedaço de nós morre também. Pois a interação nossa com os seres amados permite que algumas memórias, alguns frutos de nossa interação para com eles pereçam junto com este ser. Todavia, eles também estarão sempre vivos em nós. As raízes foram arrancadas, mas alguns frutos que ficaram conosco sempre possuem sementes. Basta-nos plantá-las para vê-las florescer.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Famous Ladies and Their Tramps

Disney was right several years ago, when they made the movie: The Lady and The Tramp. Aparently, in the Celebrity world we can find examples of what we see in everyday-life: family girls often fall in love with the tramps, or at least, those with the appearence of one.



Who doesn’t remember the vegan activist Pamela Anderson with her ex Tommy Lee? In his case, he was not only a tramp, but a real bad boy.



Knowadays we can find other types of modern ladies and tramps. For instance, there are the ladies that became a little bit goth-ladies after meeting their dream rock boys. The greatest exemples are Ashlee Simpson, who passed from revolted girl who always stayed in the shadow of her sister to the wife of Pete Wentz from Fall Out Boy (what does he see in her she’s so lucky) and Nicole Richie who digivolved from Paris Hilton’s shadow-best friend to Joel Maden’s One and Only (again: what does he see in her she’s so lucky). Despite the female (and some male) fans disbelief once again the theory gets stronger: the opposites stick together.



And may I add: ‘lady’ here is an expression of the word, not referring to how polite these girl are or were. And I don’t mean that these guys are real tramps, only that society sees them as so because they are rock stars. And finnaly, despite the jokes and all, I’m glad to notice that these two ladies are so much better know than they were before they met their respective husbands even if it means the end of half of the fans hopes lol.




At last, but not least, we have the ‘newly’ weds Katy Perry and Russell Brand. People may disagree with me, but my oppinion is that he is so trampy-look, shabby and looke like that doesn’t shower everyday and she’s so glamourous and cutie and such a pop princess… But there’s an interview when even her dad recognizes that he is good to her and she loves him so much and I guess hat this is all that matters. But I think that, different from those guys above, he could change for better while in love with her, right? And may I add[2]: Mr. Russell if you ever hurt her, you’ll have a legion of her fans and friends that will hunt you ‘till the ends of earth. Myself included.



quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A simples satisfação de colocar pincel na tela tem poucas sensações que se possa comparar. Talvez o calor do corpo em movimento musical. Ou as palavras impressas no papel depois de um tempo em gestação intelectual. Talvez. Talvez só tenha comparação o que se possa fazer com o coração pela arte. Talvez.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Farewell

Quando eu morrer, escrevam na minha lápide:

Tie the strings to my life, my Lord,
Then I am ready to go!
Just a look at the horses --
Rapid! That will do!

Put me in on the firmest side,
So I shall never fall;
For we must ride to the Judgment,
And it's partly down hill.

But never I mind the bridges,
And never I mind the sea;
Held fast in everlasting race
By my own choice and thee.

Good-by to the life I used to live,
And the world I used to know;
And kiss the hills for me, just once;
Now I am ready to go!

Emily Dickinson - Farewell

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Enquanto isso, na minha mente...




Tem um muro na minha cabeça. Um véu, uma paree, não sei. Mas há o maldito bloqueio. A parte de trás do meu crânio é um armário bagunçado. Entulhado até não poder mais de memórias, loucuras, ideias, sonhos... Tudo adormecido, entorpecido, empoeirado. Mais à frente há um vazio.
Silêncio. Incerteza. Grilos... Vácuo. Há um espaço interminável, uma sonolência profunda e, ainda sim, uma angústia enorme e crescente de desespero da produção improdutiva. Ela bate na porta que separa os dois cômodos, posterior cheio e anterior vazio. À chave ela está trancada.
A parece é maciça. E minhas ideias e minhas memórias não ouvem minha angústia porque dormem... Dormem um sono de remédio, espancadas por coisas mal resolvidas. Meu único consolo racional porém ingênuo é que não dormem o sono do alcóol ou da ignorância. Dormem forçadas pelas pílulas... Mas sem elas, tudo é caos.
A sala posterior, que dorme lotada, o armário, é a minha fonte de matéria-prima. A outra é a sala de produção, a fábrica, o estúdio, o escritório, o ateliê: vazia. Forçada a usar a própria sala, que é oca, a produção é infinitamente nula. Qualquer coisa vezes zero dá sempre zero. Para operar novamente, ela precisa da matéria do armário... Da minha matéria, meu espírito, meu ser, minha mente, da simbiose disso tudo.
Mas a porta está trancada.

Imagem por: ~aeternus81